CC - 2016 - por Habitação e Cidade | Edinardo Lucas

Goiânia, São Paulo e Rio de Janeiro
 
 
 

AVENIDA GOIÁS: LUGAR, MONUMENTO E MEMÓRIA

Irina Alencar de Oliveira - (dissertação de mestrado - UFG - agosto de 2015)

RESUMO 

Esse trabalho investiga as permanências urbanas verificadas no núcleo inicial de Goiânia, a partir da Avenida Goiás, seu mais simbólico e expressivo trecho. Parte-se da análise do discurso político difundido por Pedro Ludovico Teixeira, em defesa da transferência da capital para um local mais ajustado aos seus interesses políticos, após o triunfo da 

Revolução de 1930. Para isso, ele constrói poderosas representações sociais, fundamentadas nas imagens da velha e da nova capital, visando combater os antimudancistas e consolidar seu governo. Além do discurso e da propaganda, Ludovico utiliza o próprio plano urbano projetado por Attilio Corrêa Lima como elemento de afirmação, criando um monumento intencional moderno a ser eternizado, traduzido através da monumental Avenida Goiás. A partir de então, a cidade vivencia um crescimento territorial e populacional vertiginoso, sobretudo, após a década de 1950, resultando na descaracterização de seu núcleo pioneiro. As transformações espaciais verificadas na Avenida Goiás são representativas desse cenário, a exemplo de seu processo de verticalização e das modificações em seu traçado para atender às demandas do transporte coletivo. Sentidas as perdas, em consequência da mentalidade progressista que se arraiga na cultura local, surgem as primeiras iniciativas para preservação dos testemunhos materiais da Goiânia dos primórdios, que culminam com o tombamento federal em 2003. A partir de sua institucionalização como patrimônio histórico, volta-se o olhar para sua apropriação por parte dos habitantes locais, através da investigação do imaginário urbano formado desde a cidade dos pioneiros até a atualidade, destacando-se pontos marcantes nessa trajetória. Utiliza-se, para tanto, a literatura em prosa e verso para atingir a memória coletiva local, com foco nos primeiros anos da capital e na cidade atual, violenta, desarticulada e que vem se esquecendo de sua história a cada dia.

Cidades na cidade: habitação e espaço urbano em Goiânia

Edinardo Rodrigues Lucas - (dissertação de mestrado / UFG - fevereiro de 2016)

Boa parte do território das cidades brasileiras poderia apresentar qualidade urbanística de excelência se o Estado — financiador e/ou promotor de intervenções urbanas como a construção de conjuntos habitacionais — valorizasse o projeto. Goiânia, capital de Goiás, foi planejada no início da década de 1930, para abrigar 50 mil pessoas; em 2015, sua população que ultrapassa 1,4 milhão de habitantes. Além do plano original — de Attílio Corrêa Lima e Armando de Godoy —, parte significativa do seu tecido urbano teve participação efetiva do Estado em sua construção, através da condução e implementação de conjuntos habitacionais de interesse social. A pesquisa aqui apresentada visou refletir sobre a produção do espaço urbano em Goiânia resultante de empreendimentos habitacionais realizados pelo poder público, desde a ocupação pioneira até os dias atuais, com ênfase na arquitetura e no urbanismo, partindo do princípio de que um plano de habitação social necessita de entendimento claro dos processos passados e das cicatrizes deixadas no território. A análise crítica nos leva a crer que um projeto de habitação social tem de estar conectado a um projeto de cidade. Assim, a promoção do direito à habitação passa a ser instrumento para que a capital que nasceu planejada retome o controle de sua expansão, produzindo e gerindo o espaço urbano de forma a garantir boas condições de vida à toda a população.

 

Palavras-chave: Estado; tecido urbano; conjuntos habitacionais; projeto; qualidade urbanística.

Please reload

Casa de bricolador(a): cartografias de bricolagens

Laila Beatriz da Rocha Loddi (dissertação de mestrado / UFG - março de 2010 )

Esta pesquisa pede licença e entra em casas de bricoladores, pessoas que criam suas moradas com as próprias mãos, utilizando materiais fragmentários achados, recolhidos, desviados de suas funções originais, adotando procedimentos criativos e lidando diretamente com o acaso e o imprevisto. A bricolagem opera sem projeto pré-concebido, caracterizando um processo tático de invenção que se apropria e resignifica elementos disponíveis, de procedências diversas. Inspirado pelo conceito de rizoma e suas múltiplas entradas, o texto articula ensaios que dialogam entre si, criando ramificações e deslocamentos. O referencial teórico perpassa os ensaios, desenhando cruzamentos entre imagens, processos, lugares e sentidos. Experimentando a imagem para além da função ilustrativa, um ensaio visual propõe aproximações sensíveis com as casas. Através da cartografia, mapeamento da paisagem em seus acidentes e transformações, as falas bricoladoras transparecem e revelam produções de subjetividade que emergem da potência própria do movimento. 

Please reload

Goiânia