CC - 2016 - por Habitação e Cidade | Edinardo Lucas

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Dissertação: Avenida Goiás: lugar, monumento e memória - Irina Alencar de Oliveira


Mais uma valiosa contribuição para pensarmos sobre a memória de Goiânia e nos ajudar a construir o nosso lugar. A dissertação "Avenida Goiás: lugar, monumento e memória" de Irina Alencar de Oliveira foi umas das primeiras pesquisas do jovem Programa de Pós-graduação Projeto e Cidade da UFG. Fica claro a partir desse trabalho a necessidade de reflexões sobre nossas cidades refazendo laços, apegos e enraizamentos que possam nos ajudar a cuidar e transformar nossos espaços. Reafirmando "a importância do fomento à preservação da memória coletiva e do patrimônio histórico ecultural locais, como alternativa para permitir a criação e o fortalecimento desses vínculos e,assim, uma maior garantia da perpetuação desses testemunhos da história da cidade,alicerçada na participação comunitária" (p.167)

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RESUMO

Esse trabalho investiga as permanências urbanas verificadas no núcleo inicial de Goiânia, a partir da Avenida Goiás, seu mais simbólico e expressivo trecho. Parte-se da análise do discurso político difundido por Pedro Ludovico Teixeira, em defesa da transferência da capital para um local mais ajustado aos seus interesses políticos, após o triunfo da Revolução de 1930. Para isso, ele constrói poderosas representações sociais, fundamentadas nas imagens da velha e da nova capital, visando combater os antimudancistas e consolidar seu governo. Além do discurso e da propaganda, Ludovico utiliza o próprio plano urbano projetado por Attilio Corrêa Lima como elemento de afirmação, criando um monumento intencional moderno a ser eternizado, traduzido através da monumental Avenida Goiás. A partir de então, a cidade vivencia um crescimento territorial e populacional vertiginoso, sobretudo, após a década de 1950, resultando na descaracterização de seu núcleo pioneiro. As transformações espaciais verificadas na Avenida Goiás são representativas desse cenário, a exemplo de seu processo de verticalização e das modificações em seu traçado para atender às demandas do transporte coletivo. Sentidas as perdas, em consequência da mentalidade progressista que se arraiga na cultura local, surgem as primeiras iniciativas para preservação dos testemunhos materiais da Goiânia dos primórdios, que culminam com o tombamento federal em 2003. A partir de sua institucionalização como patrimônio histórico, volta-se o olhar para sua apropriação por parte dos habitantes locais, através da investigação do imaginário urbano formado desde a cidade dos pioneiros até a atualidade, destacando-se pontos marcantes nessa trajetória. Utiliza-se, para tanto, a literatura em prosa e verso para atingir a memória coletiva local, com foco nos primeiros anos da capital e na cidade atual, violenta, desarticulada e que vem se esquecendo de sua história a cada dia.


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