• Arthur Cabral

Produção social na moradia no Brasil: panorama recente e trilhas para práticas autogestionárias

Nos últimos dez anos, experimentamos no Brasil uma significativa expansão de formas associativas de produção habitacional, impulsionadas pela criação de uma política federal de financiamento direto a associações de famílias interessadas em autogerir seus próprios empreendimentos. Tal política teve início com o Programa Crédito Solidário em 2004, seguido, a partir de 2009, pelo Programa Minha Casa Minha Vida Entidades. As experiências reunidas nessa publicação nos aproximam desse universo de práticas associativas, com base numa pesquisa exploratória em cinco estados do país, cujo ponto de partida foi a busca do caráter inovador das experiências, seja no âmbito dos projetos arquitetônico-urbanísticos, das tecnologias de gestão participativa ou ainda, das tecnologias construtivas.


A pesquisa foi viabilizada pela Finep, ao montar e financiar uma rede nacional de pesquisa sobre moradia e tecnologia social. Um dos desafios postos à rede era pensar processos de intercâmbio entre os saberes técnico e popular que resultassem em projetos habitacionais capazes de redefinir os parâmetros de bem-estar urbano hegemônicos no país e que ampliassem o universo de possibilidades construtivas para a população envolvida. Buscava-se assim atrelar ideais da boa moradia às formas de produzi-la, privilegiando as formas autogestionárias, ou em outras palavras, as formas de produzir sob o controle dos que nela vão morar. No Rio de Janeiro, eu e o colega Adauto Cardoso, ambos do Observatório das Metrópoles/IPPUR/UFRJ, assumimos a coordenação da pesquisa e uma das parcerias firmadas foi com a Fundação Bento Rubião, responsável pelo trabalho exposto nessa publicação. A equipe de arquitetos e sociólogos buscou aqui, responder aos desafios postos, sobrepondo quatro estratégias de análise.


A primeira foi privilegiar a diversidade das experiências associativas associando-a aos contextos urbanos diferenciados, como por exemplo aqueles em áreas centrais e periféricas. As trajetórias associativas particulares de cada lugar também foram levadas em consideração na compreensão dos processos de inovação. Uma segunda estratégia se refere à metodologia da pesquisa qualitativa desenvolvida, em que se fomentou a troca de saberes entre os agentes locais envolvidos nas experiências investigadas, por meio de oficinas estruturadas para trazer à tona os avanços e as barreiras ao caráter inovador dos projetos. A forma didática do texto aqui exposto também deve ser destacada como uma decisão estratégica por parte dos autores para garantir a utilização dos resultados alcançados nas práticas de formação dos movimentos sociais, dos profissionais da área e dos professores universitários. Por fim, esse trabalho buscou ainda apontar possíveis desdobramentos dos empreendimentos coletivos autogeridos, na direção de práticas econômicas solidárias que articulem formas associativas de trabalho com a produção de cidades democráticas e igualitárias.


Prefácio de Luciana Corrêa do Lago



Título: Produção social na moradia no Brasil: panorama recente e trilhas para práticas autogestionárias

Autoria: Elsa Burguière, Flávio Henrique Ghilardi, João Paulo Oliveira Huguenin, Sandra Kokudai, Valério da Silva.

Instituição: Fundação CDDH Bento Rubião, ARCHE Consultoria Planejamento e Projetos

Ano: 2016


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