• Emilliano Freitas

Vidas negras e indígenas importam


No início de julho de 2020, foi colocada uma faixa na Igreja do Rosário da Cidade de Goiás com os dizeres “Vidas negras e indígenas importam”.

Essa igreja foi erguida em 1938 após a demolição da Igreja Nossa Senhora do Rosário do Pretos, que foi construída em 1734 pela Irmandade dos Homens Pretos e demolida.

Em nome de uma política eugenista de embranquecimento e modernização das cidades no início do século XX, houveram diversas ações no país que buscaram exterminar símbolos dos negros e indígenas do espaço urbano.

O processo do apagamento das memórias do povo negro e indígena no Estado de Goiás foi realizado através do massacre e da não preservação dos lugares representativos, expulsando-os para as margens, aniquilando suas culturas, numa tentativa de eliminar qualquer vestígio de representatividade.

A cidade é um espaço político que vai mudando e ressignificando através do tempo por regimes e narrativas oficiais. Trazer ao espaço público a reflexão de que vidas negras e indígenas importam, em meio à pandemia do coronavírus onde as desigualdades sociais tornam-se cada vez mais alarmantes, é dar visibilidade e produzir questionamentos políticos sobre a violência sofrida por esses povos durante séculos.


Foto: Emilliano Freitas

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