A CASA 39

Victória Regina Brasiliano

 

Após um ano e meio de ausência contratual à partida de seus pais é inevitável a responsabilidade de desocupar o imóvel que se transformou em fragmento do que um dia foi o seu lar. Um corpo que também guarda memórias a serem revisitadas em seu espaço físico: a casa 39. Uma narrativa de si em meio a caixas empoeiradas na tentativa de criar um diálogo entre os tempos, o vazio e as inquietações ao futuro. O que fica depois que todo mundo vai embora?

presença-s  

Maria Mônica      

 

A casa constrói memórias nos corpos que ali habitam. 

E moram 

nas entranhas, 

nos espaços microcelulares 

em que cabem tantos afetos das presenças compartilhadas, 

das histórias que as paredes contam em seus sinais 

do que ficou cravado. 

Há sempre algo que fica - principalmente dentro. 

O que fazer com tanto? 

Para onde escoarão tantas forças?

Respirar.

Conduzo meu corpo por entre os cômodos

e respiro fundo como se pudesse conter em mim

tudo o que ali circulou

os sons,

os gostos,

os cheiros, 

enquanto me despeço em pequenas partes.

Há uma porta que se fecha

enquanto inúmeras outras se abrem 

infinitas

pois aqui reinvento memórias 

para que elas continuem vivas

para que elas pulsem

e reverberem em mim

a força do que aqui construí

junto.

A CASA 39

5'


Realização: Coletivo de Ações Poéticas Urbanas - CAPU
Direção: Victória Regina Brasiliano
Roteiro: Victória Regina Brasiliano
Narração: Victória Regina Brasiliano
Imagens: Victória Regina Brasiliano e Igor Vich
Montagem: Emilliano Freitas


Local das Filmagens: Aparecida de Goiânia e Cidade de Goiás
Goiás/GO - 
2020